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Veganos são antivacina?

Com a massiva divulgação das postagens de Dado Dolabella sobre as vacinas, muitas pessoas voltaram a relacionar o veganismo ao movimento antivacina.

Mas, para responder a pergunta que carrega o título desse post, precisamos explicar o que Dado Dolabella tem como opinião própria e explicar o movimento antivacina.


O que aconteceu?

Dado Dolabella, em seu Twitter, respondia comentários de seus seguidores sobre a origem do coronavírus. Segundo o ator e cantor, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem um estudo já concluído, no qual o resultado mostrou que o vírus passou para humanos por meio do consumo da carne suína; porém, por pressão do agronegócio, esse estudo não teria sido divulgado. Após essa discussão, Dado foi questionado sobre ter ou não tomado vacina, já que no Rio de Janeiro, pessoas da sua idade (40) já podem ser vacinadas. Sua resposta foi: "Eu não pretendo tomar nenhuma dessas (vacinas). Vou esperar a vacina sem testes em animais. Um corpo alcalino e saudável não é um agente transmissor". Em seguida, ele afirma ter recebido essa informação de um médico de sua extrema confiança.

Analisando seu comentário, podemos facilmente lembrar do discurso antivacina de um presidente brasileiro. Não pretendo aqui atacar a sua opinião, mas quero expor a minha.



O que é o movimento antivacina?


O movimento antivacina surgiu junto com a primeira vacina, a de varíola, em 1796. "Na época, a gente tinha um contexto em que era uma tecnologia muito nova, a ciência estava em outro momento, a medicina era exercida de uma forma completamente diferente, e, naturalmente, a vacina acabou causando um monte de dúvida e ansiedade", diz Dayane Machado, doutoranda no Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) da Unicamp.

Mas o movimento hoje mudou e seu foco não é mais o fato de se injetar o vírus enfraquecido no corpo; o discurso agora é de possíveis efeitos colaterais futuros.

Muito conhecido dentro do movimento, o britânico Andrew Wakefield, ex-pesquisador e ex-cirurgião, relacionou a vacina tríplice viral ao desenvolvimento de autismo. Quando divulgado, o estudo teve grande repercussão. Por isso, muitos cientistas reproduziram o estudo, mas nenhum obteve o mesmo resultado. Logo veio a descoberta que o estudo foi fraudado por interesses pessoais de Andrew, o que levou à proibição de praticar a medicina.

Esse movimento é forte em lugares como Estados Unidos e Europa, onde a vacina é paga. No Brasil, o plano de vacinação é gratuito pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e a vacina é considerada um direito. Assim, a população, de modo geral, não compactua com esse movimento. Afinal, começamos a tomar vacina muito cedo, um ato simples, coletivo e necessário.



Mas e os veganos?

A entidade inglesa The Vegan Socity, criada em 1944 por Donald Watson, que criou o termo “vegan”, explicou sua definição como “um modo de vida que procura excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade dos animais para alimentação, vestuário ou qualquer outro propósito." A entidade complementa: “a definição reconhece que nem sempre conseguimos evitar o uso de animais, o que é particularmente relevante no campo de medicamentos”. Prossegue, afirmando que "Os veganos devem cuidar da própria saúde e da dos outros, para que possamos continuar lutando pelo veganismo e outros animais”.


O presidente da SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira), Ricardo Laurino, diz: “Por exemplo, os testes alternativos que foram criados para evitar testes animais precisam ser validados usando? Animais”.


Começo com essas citações, para usá-las como embasamento para minha própria opinião sobre o assunto.


Nós, veganos, a grande maioria ao menos, somos a favor da vacina, seja ela da Covid-19 ou de qualquer outra. Isso porque entendemos que o veganismo precisa respeitar a saúde coletiva, assim como a nossa própria. Uso como exemplo a orientação dada em um avião em pane: primeiro você coloca a sua máscara, para em seguida, colocar na pessoa ao lado. Como vamos defender os animais se não estamos vivos para isso?

Faço essa analise pensando como vegano, individualmente, pois sei que o planeta não morreria se a humanidade tivesse uma drástica queda em população. Longe disso...

Pensando na coletividade, como espécie, temos o dever de tomar a vacina para nos proteger e a nossos amigos e familiares, que, em muitos casos, fazem parte do grupo de risco e de forma alguma podem entrar em contato com o vírus.


Fecho esse post afirmando que é claro que nós, veganos desejamos o avanço da medicina e que, em um futuro próximo, não precisemos usar testes em animais em medicamentos. Mas, infelizmente, esse dia ainda não chegou e, para que chegue, precisamos estar vivos para mudar a cabeça de quem ainda não se importa com isso.




César Janeiro Groke

Fundador da empresa Janeiro Natural


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